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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Putz


Mais uma vez a Morte
[ceci agapinheiro]

Tinha que ser no domingo
tinha que ser no final do dia
tinha que ser de surpresa

Antes, no Natal, estivemos juntos
juntamos os risos, os abraços,
juntamos as letras do nosso sentir,
trocamos certezas e dúvidas.
Ele se nomeou advogado
de uma causa vital para mim.
Não deu tempo de aprontar
a defesa, nem de desarmar
a minha preocupação.
Mas ainda ouço o seu conselho:

Vivamos o presente
pois amanhã o mundo pode acabar.
E acabou o mundo.

Quando acabaram de vedar a campa
o sol se punha por detrás da serra,

A mesma onde, anos atrás, um avião
se despedaçou, e vidas se findaram.
Dezenas de parapendes flutuavam
contra um céu finito e infinito.

Tinha que ser liberdade.
Tinha que ser arte e serenidade.
Tinha que ser saudade.

Fortaleza, 15 a 17 de Janeiro de 2012.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

É só isso?

À medida que o tempo passa, que avançamos em anos vividos, vamos assimilando mais e mais que o nosso corpo carnal não é imortal. A cada morte de um ente querido, de um conhecido, pensamos com relutância na morte. Passados alguns dias, esquecemos que vamos morrer, até o dia em que outro ente querido ou próximo morre. Então, novamente perplexos, nos perguntamos: é só isso? Nascemos, crescemos, crescemos, crescemos, e depois morremos? É só o corpo que morre? Há vida depois da morte? Para onde vamos? De onde viemos? São questões sem respostas racionais. As explicações filosóficas ou religiosas nos levam a mais questionamentos e nenhuma certeza, a não ser de que um dia morreremos.

Como bem ilustra a parábola:

"Há muito tempo, no Tibete, uma mulher viu seu filho, ainda bebê, adoecer e morrer em seus braços, sem que ela nada pudesse fazer. Desesperada, saiu pelas ruas implorando que alguém a ajudasse a encontrar um remédio que pudesse curar a morte do filho. Como ninguém podia ajudá-la, a mulher procurou um mestre budista, colocou o corpo da criança a seus pés e falou sobre a profunda tristeza que a estava abatendo. O mestre, então, respondeu que havia, sim, uma solução para a sua dor. Ela deveria voltar à cidade e trazer para ele uma semente de mostarda nascida em uma casa onde nunca tivesse ocorrido uma perda. A mulher partiu, exultante, em busca da semente. Foi de casa em casa. Sempre ouvindo as mesmas respostas. "Muita gente já morreu nessa casa"; "Desculpe, já houve morte em nossa família"; "Aqui nós já perdemos um bebê também." Depois de vencer a cidade inteira sem conseguir a semente de mostarda pedida pelo mestre, a mulher compreendeu a lição.

Voltou a ele e disse: "O sofrimento me cegou a ponto de eu imaginar que era a única pessoa que sofria nas mãos da morte"."

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Não aguento mais...

Não aguento mais tanta violência. Viver, sentir, comer, dormir, amar, rezar, nunca mais foram atos normais.
Não aguento mais a mídia, que busca escândalo a qualquer preço em busca de primazia de audiência.
Por conta disto, vários casos ficam insolúveis e as pessoas sequer se indignam, desde que não seja com elas.
É lamentável,que casos como o de Elisa Samúdio tenham sido conduzidos de forma tão desastrada, a ponto de botar a perder todas as convicções.
É lamentável que advogados, em nome da grana, ajam como verdadeiros cúmplices dos assassinatos em voga, criando situações e ramificações espúreas, para colocar em liberdade seres desprezíveis, em detrimento de uma punição exemplar, que seria o lógico.
É lamentável que assim, se alimente a violência em todos os graus.
Há alguns anos atrás, vivenciei um assassinato em família, cujo desfecho foi direcionado, como o da Elisa Samudio, para que nunca se achasse o corpo e a arma do crime.
Registrei o desaparecimento. A polícia orientou a esperar as 48 horas, para só então tomar alguma atitude. Não obedeci e fiz o papel de detetive e consegui pegar um dos assassinos, que levou ao cúmplice, ao corpo e à arma do crime, dentro de 24 horas, suficientes para a prisão em flagrante.
Se eu não tivese feito o papel da polícia, nada teria sido esclarecido. O que foi importante: o elemento surpresa dos assassinos, que não pensaram que seriam cassados antes das 48 horas, e a consequente prisão em flagrante com confissão integral, aproveitando essa fragilidade dos mesmos.
É fácil, muito fácil saber, o que está errado, não é mesmo?